Ainda não foi desta

Um dia, desta semana acordei ligeiramente mais tarde. O Sol já ia alto e irradiava a sua luz e brilho, acordando-me com a sua energia contagiante. Pulei da cama e fui tomar o pequeno-almoço que, a minha mãe me preparara. A televisão estava ligada no telejornal da manhã e aproveitei e vi o telejornal para ficar a par das notícias nacionais e também para saber com o que se passa lá fora, enquanto me deliciava com o meu croissant.

A minha mãe estava a estender a roupa lá fora e quando entrou em casa, mais propriamente na cozinha, local onde me encontrava a comer, deparou-se com o facto de eu estar sentada no chão. Minha mãe preocupada me perguntou:

– O que te aconteceu? Porque estás sentada no chão?

– Já viste hoje o noticiário? -Respondi.

– Não. Mas porquê?

– Primeiro digo-te, o porquê de estar sentada no chão. Sabes,… é que eu caí da cadeira abaixo quando ouvi certas notícias… E não sei se são boas ou más… Passo a explicar. Um dos Reis Magos, o Gaspar foi levar a mirra, para outras freguesias. O Portas bateu com a porta e o Coelho foi à caça do Portas. Percebes-te?

– Ok. O que bebes-te? De certeza que, não foi o leite com o chocolate que, te preparei… Olha, tocaram à porta e …

– Deve ser publicidade.

– Não. São aqueles teus amigos do tempo de Universidade. Vieram convidar-te para ires à piscina com eles.

– Ah, ok. Então olha, vou vestir o fato de banho e vou com eles.

– Diverte-te!

– Olha, quem cá está!!!

– Somos nós! Viemos chatear-te! -disse Ana.

– Vocês nunca chateiam.

– Então, pá! Vamos lá! Falamos no caminho. -disse João.

– Então vamos!

Já a caminho da piscina, no carro, comecei a contar o que vira e ouvira na televisão. Mas comigo e os meus amigos (a Ana e o João) também iam mais dois amigos. O Ruben e a Mara que nada falavam… tinham sido namorados na época da Universidade e, agora não se podiam ver à frente. Mas o João brincalhão como é, começou a contar piadas e o ambiente ficou mais alegre. Quando chegamos estendemos a toalha e continuámos a conversar.

– Vá, agora conta lá melhor essa história do Portas. – disse Ruben.
Depois de, ter contado, seguiram-se as opiniões. Cada um ditava sua sentença. Foi um alvoroço só. E diziam:

– Espetáculo! Já estava farto daquelas políticas de austeridade que, Gaspar impunha. E algumas, nem sequer, estavam no memorando da Troika. Posso até, dar um exemplo. O iva dos restaurantes e cafés passar a 23%, já foi coisa destes canalhas! – disse João.

– Calma! Não te exaltes assim. Ainda te dá uma coisinha má! Se bem que, os cortes que fizeram na saúde… só com seguros de saúdes é que ias lá. – retorquiu Mara.

– Pois dizes isso, porque não tens um café, como os pais do João têm! És funcionária pública. – retorquiu Ruben.

– Pois, é. Mas eu como professora que sou, querem-me obrigar a fazer as 40 horas semanais ou obrigar-me a trabalhar a muitos kms de casa ou até mesmo ir para a rua! Também é revoltante! – gritou Mara.

– Pouco stress. – disse Ana.

– O que fui eu dizer! Se soubesse não contava nada. – disse eu.

– E eu que estou desempregada? Pois, eu considero muito sensata a decisão de saída de Gaspar. Deviam ir todos é para a rua! Haver eleições antecipadas e ir para lá uma pessoa competente. Eu se isso acontecer votarei no PS. Mais vale jogar pelo Seguro. – disse Ana.

Nesta altura, eu e todos nos rimos e por momentos quebrou-se a tensão gerada, pelos nossos governantes.

– Bom, eu acho que deve haver uma remodelação no Governo e continuar com a reforma do Estado. Se não a tranche já não vem e Portugal só é autossuficiente por um ano. Deixa lá, as eleições. – disse Ruben.

– Pois, é verdade o que disse o Ruben. Até porque as bolsas já caíram e poderemos perder a credibilidade nos mercados financeiros internacionais. Com isto, é como se os sacrifícios que todos nós, principalmente os pensionistas, fizemos. – referi eu.

– Pois, tens razão… Só com esta brincadeira ou a melhor birra de Portas e com a saída de Gaspar, só num dia a bolsa portuguesa perdeu 2.650 milhões de euros (em capitalização bolsista). E todas as empresas mais importantes de Portugal, como: a Sonae, Jerónimo Martins, etc… caíram muito, nestes últimos dias. Mas o pior foram os bancos, principalmente o Banif que, foi o mais afectado e encheu as páginas de jornais nacionais e além-fronteiras. Verdade seja dita, foi um desastre e um descalabro total. Portanto, Ana considero que, agora não é a melhor altura para realizar eleições. E contra mim falo, visto que, sou empregado de mesa no café dos meus pais e, vejo todo o “santo dia” aquele e muitos cafés lá na rua “às moscas”. – disse João.

– Pois. Isso é tudo muito bonito. Todos vocês têm trabalho mas eu não. E já tenho 29 anos e qualquer dia envelheço sem ter descontado nada para a Segurança Social, e fico sem reforma! Isto é, se a Segurança Social tiver como me pagar. Tantos anos a estudar… licenciatura, mestrado, uma pós-graduação para nada. E o mais engraçado é que, quando vou a uma entrevista dizem que, tenho estudos a mais e o ordenado que, me podem pagar é o ordenado mínimo nacional… Mas o pior, é quando nem me chamam… Claro, não tenho experiência profissional e pedem sempre… mas como têm o descaramento de pedir se ninguém me dá uma oportunidade?! Ah, mas aconteceu-me recentemente uma coisa mais engraçada,… Eu fui ao IEFP, e estava à espera da minha vez e quando fui atendida disseram-me que a minha inscrição caducou, precisamente enquanto esperava pela minha vez. É o cúmulo. Fui lá, porque não recebia as cartas deles e fui tentar perceber o que se passava e depois fazem-me isto. Este País, assim não muito longe. – disse Ana.

– Eu também estou desempregada. Mas não posso desanimar, tenho de ir à luta, mesmo que tenha de emigrar. – disse eu.

– Bem, querem ir à água? Acho melhor pararmos com estas conversas. Viemos para nos divertir. Certo? – disse Ruben.

E em coro, todos respondemos animadamente:

– Sim!!!

Passámos o dia todo na piscina e viemos bem bronzeados. Quando chegámos a minha casa, já era hora de jantar e convidei-os a jantar todos na minha casa. A primeira coisa que fiz quando cheguei a casa, foi desligar o televisor, pois estavam a dar as notícias da noite e, para termos um jantar e um serão animado pusemos música, dançámos e para acabar vimos um filme no dvd acompanhado de umas pipocas.

Para concluir, é importante referir o seguinte:

Pois, considero que íamos perder muito tempo a, resolver todas as questões que envolvem as eleições, como as campanhas polífitas, eleições, orçamento de Estado e aprovação do Orçamento,… e com isto ficaríamos sem tranche, perderíamos a credibilidade no mercado, etc. É que, todos os factos que referi, demorariam e só se resolveriam em 2014 e como fazemos até lá?

Agora, digam-me meus caros leitores, será que seria mais adequado eleições antecipadas, conforme desejam os partidos opositores ou que, Passos Coelho e Paulo Portas façam as pazes?

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