Nunca viajei de avião

Hoje, acordei logo pela manhã, com uma vontade enorme de pôr em práctica, o que planeei o ano inteiro, mas como não tive oportunidade de concretizar o meu plano, ou melhor dizendo, o meu desejo avassalador, hoje encorajei-me e lá fui eu.

Depois de me ter arranjado, encaminhei-me à agência de viagens, mais próxima de minha casa. Quando cheguei à agência, só pensava em concretizar o meu desejo de viajar de avião, antes do cataclismo que se antecipava, o fim do Mundo, nem sequer pensei no destino, apesar dos panfletos que me iam mostrando.

Após, comprar o meu bilhete de avião, vim para casa, pus umas quantas coisas numa mala, peguei no meu “necessaire” e na minha máquina fotográfica e apanhei um táxi, para o aeroporto.

No caminho, achei estranho o taxista perguntar-me onde ficava o aeroporto… embora lhe tenha dito que ficava em Lisboa, ripostou com um imaginário aeroporto, na Ota.

Quando cheguei, dei as minhas malas para colocarem no porão do avião e apresentei o meu bilhete. Nunca tinha estado num aeroporto e estava tão distraída, a contemplar as aterragens dos aviões a terra que, a senhora chamou por mim 2 vezes, para eu poder embarcar. Fui a última a entrar. Nunca tinha estado dentro de um avião, quanto mais, viajar num. Estava absolutamente deslumbrada… e a hospedeira apercebeu-se que, nunca tinha viajado num avião e veio gentilmente, ajudar-me com o local, onde me iria sentar.

Após, ter-me sentado, vieram servir as bebidas e disseram que já trariam o almoço. E como, viajava, sozinha e não aprecio almoçar sem companhia, meti conversa com o senhor que, estava a meu lado:

– Já viajou de avião?

– Desculpe, mas eu conheço-a?

– Não… mas como, estou sozinha, e não aprecio almoçar sem companhia…

– Tantas pessoas a seu lado, porquê eu?

– Desculpe, não queria de modo algum, incomodá-lo…

– Desculpe-me, eu fui grosseiro consigo, hoje o dia correu mal …

– Não faz mal. Acontece a todos!

– Mas já. Já viajei de avião. E muitas foram as vezes.

– Olhe, eu sou Germán Efromovich…

– Ah, foi o senhor que comprou a TAP? Ou melhor a TAB? Bem, me parecia que sua cara me era familiar, das notícias, claro!

– Sim, fui eu. E o que acha da TAB? Está a gostar? Eu estou a fazer-me passar, por um mero passageiro, para verificar, se está tudo em ordem. Sabe como é! Temos de estar em do negócio, senão… já sabe.

– Sei, sei. TAB? Porquê, que tinha de mudar? O senhor comprou a TAP, ou seja, Transportes Aéreos de Portugal! Não, Transportes Aéreos do Brasil?! Realmente, bem vi TAB, mas pensei que, fosse um erro de impressão no bilhete.

– Aqui têm os vossos almoços. (disse a hospedeira)

– Já não era sem tempo. (respondeu o senhor)

– Obrigada. (agradeci gentilmente)

– Mas o que, esta hospedeira me serviu, dentro da sandes? Ao em vez de alface, está relva? Daqui, ao pouco fazem o mesmo, com o tabaco. Só para ficar mais barato. Olhe, chegue aqui?

– Diga, estou ao seu dispor.

-Isto é o que servem? É inadmissível!

– Não sou que, faço o menu, senhor! Já vi que é portuguesa…

– Sim, sou.

– Oiçam, todos! Os funcionários que aqui trabalham e sejam portugueses estão despedidos!

Nem podia acreditar, no que acabara de ouvir, fiquei consternada. Após, recuperar do choque, reparei que o senhor, já não estava sentado, junto a mim. E uma das passageiras, assustada com o sucedido, tentou conversar comigo:

– Já viu?

– Já, já. Para minha primeira viajem, de avião, estou estupefacta.

– Vai, para onde? É que este voo faz escala.

– Vou para Angola.

– Dizem que é um país bonito! E quem a espera?

– Não sei.

– Mas…

– É que sabe, eu vim tratar da privatização da RTP, mas os compradores não têm rosto, embora sejam acionistas noutras empresas.

– Mas estrangeiros, dizerem-nos o que devemos ver ou não… é uma palhaçada. A sigla, RTP, significa Rádio Televisão Portuguesa! Não, angolana ou alemã, ou outra nacionalidade qualquer?! E vai deixar de ser Estatal?

– Pois, não sei. A mim só me incumbiram de tratar da privatização.

– Isso é a mesma coisa que, a Ponte 25 de Abril deixar de, ter esse nome e passar a chamar-se Ponte 5 de Outubro ou Ponte 1 de Dezembro?

– Pois… E eu que, planeei a viajem todo o ano e quando ganhei coragem de marcar… telefonam-me no caminho para o aeroporto e dizem que viajo mas é a trabalho…

– Boa viagem.

– Igualmente.

Uma coisa é certa, já que os “nuestros hermanos” brincam com a desgraça do nosso país, podíamos também, fazer-lhes o mesmo. Mas não é que têm razão!?

Silêncio que não quer Calar

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