O presente de Natal do Governo aos Estivadores

Hoje, o assunto que irei tratar será, do presente de Natal do Governo aos Estivadores. E será que é mesmo um presente de Natal ou um presente envenenado? No decorrer do artigo, irão perceber se é ou não um verdadeiro presente e tirar as vossas próprias conclusões.

Ora, portanto, normalmente todos os anos por esta época, há a dita troca de prendas entre familiares ou, entre conhecidos devido ao “parece bem” ou, àqueles que nos fizeram um favor e nós agradecemos desta forma, mas ainda há mais, como: oferecer à pessoa que menos gostamos e que não a podemos ver à frente, durante todo o ano e só porque é Natal, num acto hipócrita e dissimulado oferecemos… Já aconteceu a algum de vocês? Pois é, ninguém o admite mas já o fizeram.

Há quem, em oferendas envenenadas, nos comtemple todo o ano, descaradamente e sem dó nem piedade faça o mesmo, e todos NÓS sabemos quem é… E este ano, para lhe demonstrar o nosso “agradecimento”, podíamos homenagear, através da ceia de Natal ceando, ao em vez do peru, coelho, e ao em vez de tronco (de chocolate) portas. É preciso ter imaginação pessoal! Sempre as mesmas iguarias… este ano vamos mudar!

Bom, prendas e iguarias natalícias à parte, voltamos novamente ao assunto inicial, referido no primeiro parágrafo, deste artigo.

Na minha óptica, considero plausível começar por uma breve noção histórica e uma pequena abordagem sobre um ou outro detalhe do que é a Estiva. E falarei destes dois assuntos ao mesmo tempo, visto que, ambos se complementam.

Já por várias vezes, o povo se perguntou:

– Afinal, o que é a Estiva? Existe desde quando?

Vou então, satisfazer as respostas às vossas dúvidas e dissipar alguns mitos que a televisão mostra (fazendo sempre a TV o “efeito biombo”), e isto se deve a que, nunca foi esclarecido ao povo português a realidade dos factos e os “porquês”.

A Estiva, já existe há existe há vários séculos, talvez atrever-me-ia dizer desde, a época dos Descobrimentos, porque já nessa altura tinham de existir pessoas que carregassem e descarregassem a mercadoria das caravelas e naus que chegavam dos vários países que havíamos conquistado. E quem seriam essas pessoas? Seriam, pois os estivadores que carregavam às costas a mercadoria, muitas das vezes senão todas, pesada. E como é óbvio, eram os estivadores. E quem são e qual é a sua função? Actualmente, e com modernização já, não é necessário carregar às costas, visto que, já existem máquinas para o fazer como: guinchos, tractores, empilhadores, etc. Portanto os estivadores são os técnicos responsáveis pela colocação, retirada e arrumação nos porões e convés dos navios.

Mas não pudemos confundir estivadores, com as outras categorias profissionais, dentro de um porto.

Continuando, a minha abordagem histórica, tenho ainda a referir que, ao longo anos esse trabalho árduo practicado por esses homens que, ninguém lhes dava o devido valor, nem sequer recebiam ordenado, portanto, os dias que não havia trabalho não ganhavam, e isso já foi alvo de filmes, também não eram sindicalizados, com o decorrer dos anos mudou e foi feita a designação das diferentes funções dentro de um porto.

Depois de ter feito esta pequena abordagem histórica, só posso reportar-me ao caso Português, visto que tenho mais informação e trata-se da nossa pátria.

Agora, é importante referir os díspares cargos num porto. Tendo já falado, nos estivadores passo a explicar os outros cargos: existem ainda os Conferentes, que verificam as cargas e descargas movimentadas no porto e os portuários, são os trabalhadores que operam nas máquinas, denominadas guindastes ou gruas.

Após, a minha explicação do significado “Estiva” e da breve abordagem histórica, posso acrescentar que, estes operários já têm Sindicato próprio, há mais de 40 anos, tendo como nome: Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal e mais tarde foi integrado neste sindicato, o Sindicato dos Trabalhadores Portuários dos Portos de Setúbal e Sesimbra abrangendo ainda os portos de Sines e Figueira da Foz, tendo este Sindicato sede em Lisboa.

Posto isto, posso iniciar o que verdadeiramente quero afirmar imperativa e perentoriamente, a relevância desta classe para o nosso País.
Ora, pois, então, já se perguntaram de onde vem o açúcar que consomem? Alguns medicamentos que tomam? De onde vêm os animais, que compram no talho, para a nossa alimentação diária?

Pois bem, muitos dos alimentos que consumimos e outros bens que utilizamos, vêm nos navios. E são descarregados por estes homens, que fazem horas extraordinárias, noites que não passam com a família, Natais e Fins de Ano que não festejam com os amigos… e fazem tudo isto para nos pôr o pão na mesa e o açúcar no café!

Sabem porquê? Porque, o nosso País importa mais do que exporta. O nosso Governo não aproveita o que temos cá. O que é de fora é melhor?! Desenganem-se. O que é Nacional é bom.

Agora, o Governo quer fazer o que já tentou por inúmeras vezes… Pôr mão – de – obra mais barata a trabalhar nos portos e destituir dos seus cargos as pessoas que sempre nos deram tudo. É esta a razão da greve.

O Governo quer voltar à precariedade. Tudo aquilo que este sector conquistou, o Governo quer retirar-lhes e há já alguns anos conseguiu uma parte, passo a explicitar, para quem não ou não se lembra, na década de 90, mais precisamente em 1993, o Primeiro- Ministro Cavaco Silva (na época) disse:

– Consegui fazer, o que nenhum outro foi capaz de fazer, o sector Intocável já não é o foi até agora.

Eu conto o que aconteceu, houve pessoas que para sair da Estiva receberam indemnizações para irem embora e as que permaneceram viram o seu ordenado decair consideravelmente.

Muitas pessoas têm inveja, da retribuição monetária destes trabalhadores e o Cavaco Silva foi um deles, mas esqueceram-se que não são eles que passam noites sem dormir e cada segundo da vida desses homens é posta em causa, isto porque, se um portuário deixa cair a carga que está a retirar de dentro do navio para terra e alguém passar por baixo, é morte certa e se com o balanço do navio a carga não estiver bem acondicionada e resvalar e for contra um trabalhador, já sabem… É também um trabalho de risco. Também Há que ter isso em conta!

Várias vezes, referem que os estivadores são mal -educados e brutos… não! É mentira! Agora dizer as verdades é ser mal-educado? E fazerem por se ouvir e fazer valer os seus direitos é ser bruto?

Não se esqueçam que, é importante fazer algo para que nos possam ouvir! E estas pessoas fazem-se ouvir através das Greves que têm vindo a fazer e já estão algumas agendadas. E para que, vocês meus caros leitores, entendam os motivos destes homens, deixo-vos aqui o link do Sindicato, que referi acima: http://sindicatodosestivadores.com/?acao-sindical.
No que concerne, ao dito presente envenenado, embrulhado com fitinha dourada é a precariedade.

(Nota: Este artigo é em homenagem a uma pessoa que me é muito querida.)

Silêncio que não quer Calar

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