O Centro de Emprego e as Empresas de Trabalho Temporário

Hoje, estava a eu a ler o jornal muito descansada no café do costume, quando de repente, passou por mim uma antiga colega de escola. A “marrona” da turma. Aquela que, ninguém gostava. É que a rapariga em questão só debitava matéria nem sequer falava. Mas mesmo assim, quando hoje foi ter comigo, com uma cara chorosa, simplesmente disse:

– Sabias que agora o Centro de Emprego também é uma Empresa de Trabalho Temporário?

E eu respirei de alívio, por não vir a debitar matéria e a “armar-se” em superior, como antes fizera. Todos os professores diziam que, teria um dia um cargo elevado “quiçá” na política, visto que, com notas tão altas faria um curso, um mestrado e talvez um doutoramento. Na óptica destes, teria um futuro promissor.

Depois, passados uns minutos, passou por mim uma senhora de meia idade que resmungava bem alto:

– Já não sirvo para nada, cheguei aos 50! Ainda dizem que é uma bela idade. Aqueles da secretária… Uns miúdos que têm idade para serem meus filhos a dizer que sou  muito  velha, para o mercado de trabalho?! E o Centro de Emprego? Serve para quê?

E continuou exaltada rua adiante. Em seguida, passou por mim um senhor que, aparentava ter 70/80 anos, com um ar cansado e triste, que me disse:

– Minha boa menina, faria a gentileza de me pagar uma sopa? É que sabe… acabei de receber a minha pensão mas gasteia-a na farmácia. Agora não tenho dinheiro para comer…

E eu paguei a sopa ao senhor e fui para casa. Estava horrorizado com o que vira e ouvira.

Nestes últimos tempos, tem-se vindo a verificar uma enorme discrepância, entre as várias faixas etárias, que são pedidas nos anúncios. Para além do que, hodiernamente quase todos os anúncios são via online. O que para certas pessoas, o computador ainda é “um bicho de 7 cabeças”. Embora, ainda existindo anúncios em papel (como jornais, revistas,…), a verdade é que, há maioritariamente via online.

E o que mais me surpreende, é que nesses anúncios a empresa que se destaca, é a de Trabalho Temporário e não o verdadeiro Empregador. Então para desmistificar esta questão, irei fazer uma breve análise, do que são as Empresas de Trabalho Temporário e só depois falarei adiante no Centro de Emprego.

As Empresas de Trabalho Temporário para quem não sabe já existem à muito tempo. Já desde o final da 2º Grande Guerra Mundial, que estas empresas estavam a tentar ser colocadas no sector privado na Europa. Excetua-se, o caso português que, devido ao regime Salazarista, proibia a “livre circulação de trabalhadores”. Alguns anos mais tarde, deixou de ser proibido e até o sexo feminino foi integrado no mundo do trabalho. Posteriormente, também facilitou a integração dos “retornados” (vindos de África depois da Guerra Colonial) no mercado do trabalho. Apesar de, já ser permitido ainda não havia legislação existente. Nessa altura, seguiram-se reuniões de extrema importância com mais altas patentes governamentais da área do trabalho, da economia e dos parceiros sociais. E foi através destas reuniões, que no final da década de 80, nasceu a Associação das Empresas de Trabalho Temporário (APETT), que mais tarde deu origem à primeira Associação Patronal da área dos Serviços Prestados às Empresas. Mais tarde, no 1º Congresso da APETT, esta Associação passou a chamar-se Associação Portuguesa das Empresas de Sector Privado de Emprego, podendo assim criar emprego para as pessoas no sector privado, visto que, no sector público o Governo só pode criar emprego através do IEFP. Não esquecendo que, as Empresas de Trabalho Temporário consideram que, são de grande valor, devido à precariedade actual. É o que relata o final do artigo, onde pesquisei esta parte do meu artigo. Se eventualmente, estiverem interessados em ler este artigo, aqui está o link: http://www.apespe.pt/pagecontent.aspx?subdirectoryid=48&directoryid=21&title=Hist%F3ria.

Continuando a minha digressão, pelo mundo do mercado de trabalho, posso acrescentar que, existem várias Empresas de Trabalho Temporário e cada uma é mais vocacionada para uma determinada área de trabalho.

Como todos nós sabemos, existe uma elevada taxa de desemprego em Portugal e que tende a aumentar. Antes era “7 cães a 1 osso”, agora são milhares. Quando procuramos emprego e vemos uma oferta de trabalho (que até nos agrada) são muito exigentes no perfil, como por exemplo: a idade, a experiência, o curso, o domínio de vários idiomas, boa apresentação, entre outros. E muitos oferecem ou salário mínimo ou estágios não remunerados.

Falando agora na idade, em algumas ofertas de emprego, exigem no perfil,  como idade entre 20 e os 30 anos… então e quem tem de 30 anos já é velho? Não tem competência para trabalhar no local em questão? E quanto à experiência, uma pessoa que acabou de sair do ensino, como tem experiência se nunca trabalhou e ninguém lhe dá uma oportunidade para mostrar o seu valor, já não interessa? Ou o curso? Está demasasiado preparado para exercer aquela função? Ou não querem pagar mais ao trabalhador devido aos estudos que tem? Será preciso mentir no CV? Então e a apresentação? As pessoas não vão trabalhar de forma descuidada… e querem fotografia actualizada no CV… será que têm de ver primeiro se as pessoas são bonitas ou feias? Têm de ser tipo “top model”? E precisam de saber assim tantos idiomas?

Antigamente, quando haviam as entrevistas directamente com o empregador era melhor, o empregador sempre nos ouvia… agora desde que, começaram a existir este tipo de Empresas já não é assim. O Empregador contrata uma Empresa de Trabalho Temporário e depois fica ao encargo desta, todo o procedimento. E se for enviado algum CV, que não preencha todos os requisitos pretendidos, a candidatura é anulada.

E o mesmo acontece com o IEFP, a empresa do sector público, se não preencher os requisitos, sucede o mesmo.

Portanto, quem não tiver experiência e por mais cursos que tenha, não terá muito sorte. E quem, essas empresas considerem que não têm a idade certa, esqueçam. E quem não preencher todos os requisitos e são muitos talvez… é melhor passarem por uma farmácia e comprar um medicamento para dormir, para só acordar depois da crise passar ou melhor vão ao médico, para este vos receitar um medicamento, para a depressão.

Mas o mais perturbante, é quando recebemos o tal salário mínimo durante toda a nossa vida contributiva, no final, receberemos uma pensão tão pequena, que um dia talvez, não dará nem matar fome.

Silêncio que não quer Calar

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