A “gordura” do Estado e os conselhos de emagrecimento do FMI

Há uns dias atrás, disse ao meu esposo que andava a comer muitos doces. Depois contei-lhe que me ia inscrever no ginásio e que ia ficar de regime até chegar ao meu peso ideal, tipo “top model”.

Mas quando cheguei ao ginásio, no qual foi o meu espanto, disseram-me que estava lotado, apesar do aumento do IVA que se verificou, conforme o anunciado pelo Governo no ano passado.

Como não sou de desistir, continuei a minha busca incessante e desenfreada por todos os ginásios que encontrei e a resposta era sempre a mesma. Mas devido a amabilidade do rececionista, do último ginásio que fui, fiquei a saber a razão:

– Estamos lotados porque todo o Estado, aconselhado pelo FMI, disse que tinham de fazer desaparecer a “gordura” acumulada, visto que, Portugal tem de resistir e levar até ao fim a dieta para não terem uma recaída. Coitados, nem os deixaram chegar ao Natal, para comer os “doces” habituais.

– E eu como fico? Como faço a minha dieta? Sou funcionária pública… Se desaparecerem com a “gordura” acumulada, desapareço também? Consideram-me também “excesso”?

– Pois…tudo o que é “excesso” (excedentário)… será eliminado.

– Pois, eu ouvi nas noticias… Ainda disseram que vão aumentar os horários de trabalho, que cortariam nos incentivos e que mudariam as regras de mobilidade geográfica. Então como posso frequentar o ginásio com horários tão rígidos? E como pago sem os incentivos? E será que tenho de mudar de casa? Estou deprimida. Olhe, deixe estar, não ponha o meu nome na lista de espera, porque se for como nos hospitais nunca me chamariam, como me vão tirar os incentivos ou cortar-me o salário ou até mesmo despedir , já não posso comprar para comer…

– Tenha calma, no ano 2014, dizem que já estará tudo resolvido!

– E que faço até aí?

– Faça como eu. Sou do sector privado e nunca tive nenhumas regalias tive de me aguentar… E agora tenho que me dar por feliz, se o meu patrão me pagar em duodécimos, todos os meses um dos subsidios ou de férias ou de Natal. Pronto, não se costuma dizer “grão ao grão enche a galinha o papo”?

–  Mas isso são migalhas! Mas sempre é melhor que nada. Bom. Obrigado. Adeus.

Perante, esta “conversa” observa-se o cinismo do Estado. Se já está tudo traçado o porquê de levar a discussão com os parceiros sociais? E as centrais sindicais será terão algum voto na matéria? A UGT nem sequer participou na última Greve Geral, só agora é que vem dizer a opinião? Mas aplaudiu a medida. Claro. E a pergunta que torno a fazer e não quer calar é:

– Será que a UGT não está de conluio com o Governo?

Bom, se ficasse por aqui era bom. Mas não fica.

Agora, considero de extrema importância referir o facto de, o Estado ter de racionalizar.

Desde criança, sempre ouvi falar de rações. E a memória que vem à cabeça é, a de ver as pessoas nas aldeias, dar ração ás ovelhas, ás cabras, ás vacas…enfim. E o gado fica bonito. E quando os compradores iam ao terreno e viam o gado assim tão bonito, acabavam por comprar.

Agoram somos gado para nos poderem comprar? E racionalizar? Não comemos ração! Somos pessoas!

O FMI é comprador? Pagam a racionalização das reformas, pensões e todas as despesas sociais que o Estado tem para connosco enquanto cidadãos?

Nós pagámos, com os nossos descontos, as reformas, as pensões e tudo o resto! Temos direito de usufruir daquilo que demos ao Estado!

Isto é revoltante! O FMI comprou-nos porque estamos a “comer” as tranches, ou seja, a ração, que gentilmente nos dão a um preço muito alto! A nossa vida!

Chega!

Silêncio que não quer calar

(Nota: Não trabalho nem no sector público nem no sector privado.)

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